7 de novembro de 2006

(M) idiótica

Na sala assistindo TV:

- Olha! Que filme é esse?
-Não sei se é filme, acho que é um documentario sobre o Iraque.
-Parece reprise de "Platoon".
-Hm...não sei, esses mísseis cruzando a tela parecem ser tão reais.

".................BANG BANG"

- Isso!!! Matem todos eles!
-Isto é, se for de mentira.
-Droga. ALGUÉM PODE ME DIZER SE POSSO ME DIVERTIR OU NÃO?

Do quarto - Parte I

E tudo começou assim: ele naõ tinha mais sobre o que escrever. Se pegou olhando a folha em branco, separando o real do abstrato, misturando os verbos com o gosto do sal. Como se ja tivesse escrito sobre tudo, esgotado todos os temas, realizado todas as obras, se sentia vazio. Lhe sobrava naquele quarto-castelo vazio que era a sua mente o eco de uma música suave que entrava pelos ouvidos numa tentativa pífia de inspira-lo. Nenhum movimento.

Inspira-lo.

Espirou. Era isso que faltava. Como o olho sente falta do ver, como a pele sente falta do toque, ele sentia falta. Algo que o motivasse a escrever, a fabular, a brincar com as coisas, com as idéias, com os fatos. Percebeu que há tempos ninguém o surpreendia, ha tempos quase nada lhe tirava um sorriso surpreso, um sorriso menino, um sorriso de dentro. Era só o sorriso com medo, aquele que saia por pura obrigação de expressão. Clamava por detalhes, que alguém lhe trouxesse pequenos prazeres tal qual o som doce do por-do-sol.
"Me dêem prazer" gritava aos quatro ventos mas não o ouviam.
"Me faça, me crie, me seja, me veja, me pense, me sinta!".
Era tudo o que ele pedia para poder escrever, para poder sorrir. Sorrir.


26 de setembro de 2006

Asas inventadas

Hoje eu vi um pássaro e fiquei com inveja. Se eu tivesse asas e pudesse voar eu seria verdadeiramente livre, me realizaria. Então olhei pro pássaro e ele estava me olhando como dizendo "se eu pudesse falar seria verdadeiramente livre, me comunicaria e seria um ser completo, mas meu destino é ser levado pelo vento, de um lado pro outro, que inveja dos humanos." Talvez se eu tivesse asas, faria como Ícaro filho de Dédalo que ébrio por ter asas (mesmo que de cera) voou tão alto que o sol derreteu suas asas. O problema do homem é querer ter coisas desnecessárias, é criar necessidades que não existem. Parece assim que estão querendo negar a humanidade que lhe cabe. Criando essas necessidades o homem acaba se padronizando, negando assim da mesma maneira, a individuialidade. Todos iguais, catalogados, previsíveis. Talvez seja por isso que (quase) ninguém me surpreenda mais. Temos mania de darmos valor as coisas que apresentam um resultado imediato, efetivo, que atende às nossas necessidades imediatas. Isso é justificado pelo pragmatismo do homem, que move todas as coisas. Essa visão acabou criando engenheiros demais, advogados demais, cientistas demais, máquinas de mais. Após a revolução industrial foi criado um novo tipo de valor de homem, o tecnicista, que passou a ser adorado e idolatrado em seus valores. Talvez isso tudo venha do vazio existencial, o homem deve ter se deparado com a falta de respostas aos seus anseios, e passou a criar para tentar se comparar a um deus, a um criador, para se sentir menos ridículo perante a insignificância. Mas eu penso todos os dias para que nossos desejos falsos não se tornem nossos algozes, e não nos enforquemos em nossas próprias cordas, não sejamos Ícaros modernos e morramos pelos nossos desejos. Somos ridículos, mínimos, infames. Qual o problema em afirmar isso? Angústia? O que me causa angústia é olhar em volta e ver que tudo isso é falso, criado, artificial, que estou rodeado de ignorantes que fazem o possível pra continuar assim. Perante isso tudo, ver e admitir nossa natureza não me parece tão ruim.

22 de setembro de 2006

O papa é pop

Então agora virou festa. A fala do papa Ratzinger afirmou que "Maomé só veio pra causr guerra e destruição, não causou nenhum bem". Mas veja bem, essa frase é a de um rei perdido no Séc XIII d.C., não foi o Supra Sumo Pontífice que disse. Vou fazer o mesmo: "Seminarista filho da puta". Apesar de eu ter enchido o peito pra falar isso, essa frase não é minha, é de um herege do Séc. XIII d.C. Faça você o mesmo: levante dessa cadeira e grite a frase que quiser (uma dica: xingue seu chefe, faz bem.), afinal não somos mais responsáveis por aquilo que dizemos mesmo.

Entramos na era de banalizar a palavra? Justamente a palavra que nos torna humanos, nos separa dos animais irracionais. Nos tornamos animais sociais através da palavra, fazemos concretos todos os abstratos através dos signos. Nos fazemos completo através da alteridade (meu encontro no outro) realizada pela palavra, mas também renunciamos toda a nossa liberdade e abrimos mão de nosso mundo ao nos dirigirmos ao outro e dizermos um simples "oi". A partir desse momento o outro nos possui.

A palavra, portanto, é o maior instrumento de poder, e é de se esperar que o líder da maior instituição mundial, que ja curvou nações através do verbo, faça bom uso do mesmo. Tamanha irresponsabilidade e desleixo desse líder nos indica que ninguém é mais responsável por aquilo que diz (faz ou produz). Talvez isso indique que seja a hora de voltarmos ao estado de barbárie, ao estado natural do homem, para primeiro dominarmos o fogo, depois o verbo.

Em que pedestal inconsequente o papa se coloca para fazer tal afirmação dos muçulmanos? É só olhar para o passado católico e relembrar alguns fatos. CADE A MORAL CRISTÃ?

9 de setembro de 2006

A vida atrás do balcão é:

A vida atrás do balcão é:

-Aguentar olhares de superioridade dos que estão do lado de lá.
-Ser desprezado.
-Ter que atender a todos com um sorriso no rosto (mesmo que vc esteja no pior dos seus dias).
-Criar um falso humanismo e a cara de pau de perguntar "Gostou do filme?" com cara de Mc Lanche feliz.
-Ser hipócrita acima de tudo, afinal, vc tem sempre razão Senhor.
-Trabalhar de segunda a segunda, mais feriados, e dias de sol com churrasco gorduroso.
-Estranhar frases como "Vou sair", "Vou viajar".
-Ver seus amigos passando na rua de domingo. E ficar só vendo.
-Estar do lado de cá, pra um dia estar do lado de lá.
-Criar uma fé cada dia maior em Marx.

Mais alguma coisa Senhor?

17 de agosto de 2006

A democracia

Quando a democracia ameaça a hegemonia
Elimina-se a democracia.

Assim é a democracia

7 de agosto de 2006

Carinho

Eu ainda acredito no amor.
Algo me inspira quando penso em Sartre e Simone de Beauvoir. Um amor dos mais felizes. E eles eram felizes porque ambos sabiam o que queriam. Sendo diferentes no meio em que viviam se encontraram como semelhantes, existencialistas, ambos prezando a liberdade, palavra chave do relacionamento. Admiração também foi essencial ao longo de toda a vida dos dois, o que fez com que ela escrevesse A Cerimônia do Adeus, já com 73 anos, evocando a figura de Sartre. Eles vibravam em outra frequência.
Admiráveis.
Algo me inspira mais ainda quando lembro de Hannah Arendt e Heidegger. Ela, 18 anos, judia, ele, 35, nazista confesso. Os dois, amor apaixonado, quebrando fronteiras, ideologias e a razão. Estabeleceram uma relação inédita de admiração mútua, e o que começou como professor-aluno se estendeu por cartas até a década de 70.
Inexplicáveis.
Então seja o amor feliz, desses de duas pessoas que sabem viver a vida, ou seja o amor apaixonado que quebra conceitos, ainda há amor no mundo. Amor suficiente pra tirar um sorrisinho do meu canto de boca quando penso em algo do tipo, e balançando a cabeça, me perder em pensamentos. Amor bastante para me causa angústia quando penso em outras coisas que me fazem esquecer do valor da vida.
Então ame, algo, alguém, você mesmo, o que quer que seja, mas não deixe a vida perder a graça


Pq eu ainda acredito nesses carinhos que são como o sol batendo na pele e esquentando.