27 de fevereiro de 2007

Quase Nada

Obrigado pelos comentários.
Aí vai o significado real do texto anterior:

É uma crítica a esses "filósofos" que escrevem ou falam dificil achando tudo muito lindo e achando que estão fazendo filosofia quando ninguém os entende. Pensar não é ser rebuscado, muito pelo contrário é buscar a retidão de pensamento, é tornar compreensível o que se apresenta confuso. Tornar compreensível pelo menos no âmbito da linguagem, da compreensão. Agora, se a idéia vai ser aceita, isso já é um outro assunto.

Fazer filosofia não é juntar palavras como "nada" "ontológico" "cognoscível" e ficar no campo do abstrato. O popular "viajando na maionese", se preferir. E essa é a imagem do filósofo que vem desde os tempos de tales de Mileto, um bicho-grilo que fica viajando por aí nessa coisa estranha que é a filosofia. Ela de nada adianta se for desvinculada do mundo real, da prática, da efetiva mudança da nossa realidade.

Marx disse: "Até agora os filósofos se concetraram em tentar explicar o mundo. Está na hora de tentar muda-lo". Exatamente. De que adianta entender de que é feito o espírito, onde se encontra o pensamento, se nenhuma dessas coisas nos posicionarem como sujeitos agentes do mundo? De que adianta saber o que são imperativos categóricos se isso não nos colocar numa nova postura ética? De que adianta estudar sociologia se for pra querer sair pegando em armas explodindo bancos?

Essa postura de esbanjar conhecimento não é Filosofia. Pode até ser conhecimento, mas o verdadeiro conhecimento não serve pra ficar mostrando por aí em palavras difíceis, poses rebuscadas, atras de uma cara de superior e um óculos de armação de tartaruga.Pode ser conhecimento, mas não sabedoria. É espaço ocupado no seu cérebro, a toa, diga-se de passagem, pois para gente assim o cérebro podia ser ocupado por coisas como empacotar uma sacola decentemente. Não desmerecendo nenhuma profissão, vejam bem, acredito plenamente no potencial de qualquer pessoa, e que eles realmente queiram subir na vida. Mas para os "filosofos" destiladores de "conhecimento" o lugar eterno deveria ser esse.

O verdadeiro conhecimento deve sim ser passado e transmitido. Porém antes disso, deve servir para o sujeito individual, para abrir seus olhos para as coisas do mundo, para dilacerar as mediocridades, o fazer enxergar o mundo e si mesmo de uma nova maneira e se posicionar como consciente disso, como agente efetivo e criador desse mundo.

Talvez assim não vejamos mais crianças sendo arrastados presas pelo cinto do carro por 4 Km.

23 de fevereiro de 2007

Nada

Levando-se em conta que o oposto a um ser nada mais é do que sua própria negação pode-se chegar à conclusão de que a negação de um não-ser passa a ser o próprio ser. Isso trabalhado no puro campo ontológico das essências, sem entrar nas categorias. Ao pensarmos o nada sob o ponto de vista epistemológico teremos que a pura capacidade de compreensão do nada passa a ser impossível ao nosso intelecto, assim como a tentativa de compreender o Infinito e o Absoluto. Um – nosso intelecto - se encontra no puro campo do medível, do logicamente associável, outro – o nada – se encontra no campo do incognoscível, para além da lógica. Como se uma pura denominação do “nada” já fosse aprisioná-lo sob algum conceito puro, como se a mais vã tentativa de definição do nada fosse fazer com que escapasse ao seu sentido a priori. Talvez o nada fosse o não pensar, a douta ignorância, a eterna inocência. Como Fernando Pessoa diz sempre nos meus ouvidos, olhos, boca e pele:
”Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar”

O nada é o amor. O amor é nada. Admitir que o amor não é nada é dizer que ele já é alguma coisa. Como dizer que “você não é ninguém pra mim” significa dizer que o “você” é alguém para o outro. Excelente, o nada não existe, mas só assim ele é nada.

Durante o processo de criação da linguagem, como meio de comunicação, expressão e inter-relação do “eu” com o mundo, o nada aparece não como um meio de apresentação de uma verdade já conhecida, mas, antes, meio de descoberta de uma verdade até então desconhecida. Trata-se então de algo progressivo, inerente a todo o processo dialético da história. Enfim, poderia escrever páginas e páginas sobre nada, e ainda assim encontraria leitores sedentos por descobrir um significado.

Como se houvesse muita metafísica em comer chocolates, pequena!

10 de dezembro de 2006

Do quarto - Parte II

Eu não sou o cara certo
Me dê uma garrafa de vinho, eu a beberei até jogar a garrafa vazia na vida, rindo dela
Mostre me a imagem de Jesus, e eu arrancarei seus pregos e furarei meus pulsos.

Mas eu! Sou um humano. Um desses estranhos seres que diferem-se mais entre si do que dos animais.

Ainda assim não sou o cara certo.
Posso rir da sua cara, posso tremer ao seu lado
Posso falar coisas bonitas, posso ficar decepcionado.

Porque não sou o cara certo.



Mas é muito provavel que eu esteja pensando em você agora.
E sorrindo por isso

15 de novembro de 2006

Do caderno - 1°

Para que eu possa (e eu vou)
Me perguntar se tudo valeu a pena,
E ter a confortável certeza que sim.

Para que eu possa
Olhar o sol nascer
E ter a certeza que mais alguém está fazendo isso.

Para que eu saiba que em qualquer canto do mundo
em que eu olhe,
haja sempre alguém
Sorrindo ou chorando por outrem.

E que a morte é mesmo
A angústia de quem vive
E a solidão também,
Apenas olhe para mim e sorria.

9 de novembro de 2006

Amigos

Amigos

Um dia a maioria de nós irá se separar.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos,dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... Hoje, não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve, cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, cada um segue a sua vida... talvez continuemos a nos encontrar quem sabe nos e-mails trocados.
Podemos nos telefonar, conversar algumas bobagens... Aí os dias vão passar, meses, anos, até este contato tornar-se cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo....
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas?
Diremos: Eram nossos amigos e isso vai doer tanto!
Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto, nos reuniremos para um último adeus de um amigo.
E entre lágrima nos abraçaremos. Faremos promessas de nos encontrar mais vezes, daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida isolada do passado. E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades....
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos
[Texto de autoria desconhecida]








Na foto: Os Maiores, em 2001. Tempo absurdo de rápido.

7 de novembro de 2006

(M) idiótica

Na sala assistindo TV:

- Olha! Que filme é esse?
-Não sei se é filme, acho que é um documentario sobre o Iraque.
-Parece reprise de "Platoon".
-Hm...não sei, esses mísseis cruzando a tela parecem ser tão reais.

".................BANG BANG"

- Isso!!! Matem todos eles!
-Isto é, se for de mentira.
-Droga. ALGUÉM PODE ME DIZER SE POSSO ME DIVERTIR OU NÃO?

Do quarto - Parte I

E tudo começou assim: ele naõ tinha mais sobre o que escrever. Se pegou olhando a folha em branco, separando o real do abstrato, misturando os verbos com o gosto do sal. Como se ja tivesse escrito sobre tudo, esgotado todos os temas, realizado todas as obras, se sentia vazio. Lhe sobrava naquele quarto-castelo vazio que era a sua mente o eco de uma música suave que entrava pelos ouvidos numa tentativa pífia de inspira-lo. Nenhum movimento.

Inspira-lo.

Espirou. Era isso que faltava. Como o olho sente falta do ver, como a pele sente falta do toque, ele sentia falta. Algo que o motivasse a escrever, a fabular, a brincar com as coisas, com as idéias, com os fatos. Percebeu que há tempos ninguém o surpreendia, ha tempos quase nada lhe tirava um sorriso surpreso, um sorriso menino, um sorriso de dentro. Era só o sorriso com medo, aquele que saia por pura obrigação de expressão. Clamava por detalhes, que alguém lhe trouxesse pequenos prazeres tal qual o som doce do por-do-sol.
"Me dêem prazer" gritava aos quatro ventos mas não o ouviam.
"Me faça, me crie, me seja, me veja, me pense, me sinta!".
Era tudo o que ele pedia para poder escrever, para poder sorrir. Sorrir.